Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha..
Depois, de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha...
E hoje, dos maus cadáveres, eu sou...
O mais desnudo, o que não tem mais nada...
Arde um toco de vela amarelada...
Como o único bem que me ficou!
Vinde corvos, chacais, ladrões da estrada!
Ah! desta mão, avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um "ai",
A luz do morto não se apaga nunca!
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